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São Marcos, Rio Grande do Sul, Brazil
Mas é como ter um Rolls Royce: se você não quiser ter que pagar o preço da manutenção, mude para um Passat.

3 de fev. de 2010

intenso, perturbador, insaciável, mas limitado. Assim, dessa maneira.

Exatamente 5 horas de uma fria tarde de outono. Desceu de seu Landau vermelho 1977 cheirado a roupa limpa, o cabelos esvoaçando e se perdendo no vento. Com toda sua sutileza e com a cara mais oposta para a situação impossível caminhava com um ar de quem esperava algo a mais da vida, ou simplesmente daquele momento. Ela estava sentada com as mãos nos joelhos suando frio e quase tendo um colapso nervoso, ou um derrame emocional. Com toda sua tranqüilidade sentou ao lado dela e a beijou na testa. Tenho mera certeza que aquele beijo a levou a 30 lugares diferentes sem se mover. Perfeito era o momento e não a noticia que ele vira trazer. Estava partindo, aquela pequena cidade do lado norte do país era pequena demais para ele, para os sonhos dele, para o sentido que ele queria dar ao seu próprio viver. Ela não sabia se era só a cidade, ou se ela era pequena de mais também para faze-lo ficar ao seu lado até os fins dos seus dias. Lágrimas envolveram seu rosto, e quando iria se pronunciar o dedo indicador dela tocou seus lábios em um gesto que pedia silêncio, e então ela se pronunciou:
- Como, como me manter longe de ti se minha boca procura a tua, meu corpo pede casa ao enrosco desordenado dos teus braços, minha mão sem pensar sempre avança a tua nuca! Como?
Exatamente o que ela descreverá em sua unica fala estava acontecendo, lá estavam eles mais uma vez se perdendo de si e se encontrando um no outro. Mas como as folhas do outono estavam tocando o chão, o amor avesso também estava indo ao chão. O passar do trem e o barulho que as ferragens antigas fazia nos trilhos despertou eles do topor aonde se encontravam. Ele se levantou em um pulo desajeitado e se lembrou que aquilo era só mais uma das várias coisas que ele haveria de esquecer se quisesse ser mesmo livre. Ela ficou no chão, sem entender. Com a fome de um lobo faminto, enterrou sua cabeça entre as folhas e quis por um momento que a terra a engolisse.

12 de jan. de 2010

Não sei, não lembro mais da tua voz, não sei mais que cheiro tem tua ropa, teu pescoço, corpo. Nao lembro mais do sabor do teu beijo, do calor do teu abraço. Foram somente coisas que morreram por não se renovarem. A chuva vem, vai, deixa o sol voltar e cai de novo e da espaço pra noite. Se ela não volta provavelmente o sol vai tomar conta, e ai o que não se renovou, foi ao chão. Pena que não é assim com tudo aquilo que ainda guardo aqui dentro, pena que não é assim com as milhares de lembranças dos poucos dias que ficamos junto, de bem, com nós, comigo, contigo, com a vida e com a alma. Mas como perder-se também é caminho, eu desejo sincera mente que tu se perca, bem longe daqui aonde tento continuar.

26 de dez. de 2009

Ela se perdia mais ainda a cada passo, novas caras, novas pessoas, novos ideais ou os mesmos de certo tempo atrás. A semana acabaria e ela continuaria a se perder, dentro de si, dentro de deles, dentro de ti. O elo que ainda os unia já se desmanchara quando ela passou a olhar pra si e não pro lado ou para trás. Uma coisa ainda era certa e Valentina tinha certeza disso: o dia de amanha.

18 de dez. de 2009

“o calor do abraço deu lugar a os ponteiros do relógio da vida, que sempre acaba a nos governar".

Se tem ou não a reação que no fundo queria que tivesse, já não me importa. Importo-me com o que eu sei, com princípios verídicos ou não e com as razões que me governam, me importo com aquilo que acredito. Importo-me com aquilo que acho certo, mesmo confessando de longe que certo não és, nem uma vírgula.

Sei que também se importa, acredita, valoriza. Não reage, mas sente, sente tremor, sente falta, saudade, apego, sente-se perto até de mais.

Sinto-te perto, faz de conta que não, mas sempre acaba se entregando pelo olho, sempre foi assim, em todos os sentidos. E quando te vejo abandonando, abandonado, sei que voltará.

Se as coisas só existem porque acreditamos, então sinceramente eu prefiro acreditar.

anarquias

mesmos sentidos