
A vida é uma história contada por um idiota com som e fúria. Teatro é um espaço vazio, onde as mentes compõem os detalhes. O longo caminho a percorrer da realidade até o pior delírio, mas como disse um ator: ‘Não sou louco, já fui, não sou mais! Alias, eu sou louco quando tenho ou acho que tenho que ser, piores são aqueles que levam isso a sério.’ A grandeza sempre teve um preço, as coisas podem ser fáceis, mas quem disse que são fáceis de serem mantidas? A grandeza de saber diferenciar uma peça de teatro, de uma história totalmente real é para muito poucos, sempre terá o que faz lembrar-se da ficção ou daquela fala propicia do momento. Por quê? Porque a verdade é totalmente insuportável, ninguém aceita passar por tudo sozinho e então se é tão ruim aceitar a derrota, porque é tão fácil estourar um champanhe francês com milhares de pessoas aplaudindo e se curvando, fazendo jus ao mérito conquistado? Pergunta difícil e até diria sem resposta se não fosse tão fácil se acostumar com o bom e ao mesmo tempo tão perplexo ver o retorno maliguino das coisas.
“Atuar é a arte de fazer um monte de gente ficar sem tossir ou bocejar por um bom tempo!” E falar da dor e da verdade de uma vida inteira? Ficar fora dos palcos e saber interpretar um ‘eu’ sem duas faces ou sem mentiras formadas ao longo do tempo? Está correto afirmar que não existe ‘personagens’ pequenos, cada um tem sua essência. Cada um tem sua forma e cor, sem contradizer que a gente é fruto do que fomos um dia, mas se provemos da base de quando viemos ao mundo, porque existem mudanças? Talvez fosse porque não nascemos formados, e sim nos formamos com o decorrer do tempo e das andanças da vida. Poderíamos chamar de ‘navio’, somos o comandante, precisamos saber corretamente para aonde vamos, assim seguiremos as coordenadas certas! Mesmo sendo comparada com um navio, não deixo de dizer que não passa de um ‘vácuo’, vazio e frio, é nossa obrigação encher de fúria, êxtase e revoluções.
As mesmas fúrias, os mesmos êxtases e as mesmas revoluções encontradas em um palco de teatro, transformadas em vida real, com a difícil missão de resolver tudo, sem nenhuma forma de ‘atuar’. É tão complicado ser o que realmente somos e também é tão simples respirar fundo e ser uma pessoa formada pelo texto que está no papel. Seria tão bom acreditar que as pessoas que estão na rua, dormindo sem sua própria casa, estão apenas atuando, para mostrar o quanto o país pode ser pior, talvez essa vontade de trazer todo mundo para casa e colocar na cama, dizer que amanha tudo ficará bem. Valores morais, valores morais! Esquecidos? Sim, no teatro, na realidade e em tudo que possa se julgar em pessoa com sanidade mental.

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